As bandeiras dos bairros
Texto publicado no Jornal da Tarde 29-11-2009 - Variedade - Curiocidade - Marcelo Duarte
Marcelo Duarte
O Dia da Bandeira foi comemorado na quinta-passada. O Curiocidade aproveita a data para apresentar os lábaros de alguns bairros paulistanos. Todas as subprefeituras foram consultadas e sete enviaram seus estandartes. As caçulas são a do Itaim-Bibi, oficializada no dia 29 de outubro, e a de São Miguel Paulista, que aguarda aprovação
São Mateus
Corrente contra a desigualdade
“A corrente não é mais forte que seu elo mais fraco”, disse o pensador libanês Gibran Kahlil Gibran (1883-1931). Na livre adaptação de Carlos Ângelo, criador da bandeira de São Mateus, “a família não é mais forte que seu membro mais fraco”. A ideia, representada pela corrente amarela no centro, mostra a luta de São Mateus contra a desigualdade social. As oito listras azuis são uma homenagem Ano Nacional da Mulher, celebrado em 2004, quando foi criada a bandeira. As oito listras brancas simbolizam a paz e o triângulo, a união entre as instituições e a população. Tem também o verde (esperança) e o ouro (riqueza).
Vila Prudente
União do Brasil e Itália
Em 1990, na comemoração do centenário de fundação do bairro, foi organizado um concurso para a eleição da bandeira. Mas como houve pouca participação, cinco dos próprios organizadores, João Sartorello, Dr. Vincenzo Izzo, Salvador Patané, Dovilio Zaparolli e Newton Zadra, se debruçaram nessa missão e criaram a bandeira. Para eles, as cores deveriam fazer menção ao Brasil e à Itália, por ser o berço dos fundadores do bairro. São elas: amarelo, verde, branco e vermelho. Deitada, a cruz representa a formação cristã da população e homenageia os sacerdotes. O círculo representa a união da população e dos líderes. O obelisco é a virilidade de toda a gente do bairro .
Itaim Bibi
Criada por um menino de 11 anos
A bandeira do Itaim-Bibi foi idealizada em 1990, por Bernardo Muylaert Tinoco, na época com 11 anos. O menino venceu um concurso promovido pela fábrica de chocolates Kopenhagen entre alunos das escolas da região. Na época, a fábrica teve o apoio da Prefeitura de São Paulo, da Associação de Amigos do Bairro do Itaim-Bibi e do Clube de Diretores Lojistas da região. O desenho, escolhido entre outros 27, apresenta três faixas horizontais, nas cores azul, branca e verde. A azul representa o Rio Pinheiros, que tinha curvas até 1929, quando começou a sua retificação; a branca anuncia a paz e a verde, os jardins. A interferência branca na parte verde representa os prédios, que começaram a pulular há alguns anos na região.
Ipiranga
A chama da Independência
O primeiro bairro paulistano a ter uma bandeira própria foi o Ipiranga. Ela foi hasteada pela primeira vez em 1º de setembro de 1984, depois de ter sido escolhida pelos moradores em um concurso promovido pela Comissão de Festejos do Aniversário do Bairro e pelo Clube dos Lojistas. Quem a criou foi o contador aposentado Jayme Castro Delgado, então com 71 anos, que venceu outros 57 desenhos. A bandeira do Ipiranga tem em destaque uma pira estilizada, como a que existe em frente ao Monumento do Ipiranga, no Parque da Independência. A chama verde e amarela simboliza o local da Independência do Brasil, em 1822.
Jaçanã
Cantareira e o trem das onze
Tudo começou na 4° edição dos Jogos da Cidade no ano de 2006. A pedido do Secretário de Esportes, Walter Feldman, a Subprefeitura do Jaçanã/Tremembé decidiu que as cores da bandeira seriam o azul (céu), o branco (nuvens) e o verde (a Serra da Cantareira, o primeiro núcleo abastecedor de água a cidade). O bairro tem orgulho da Cantareira, patrimônio natural tombado em 1890 pelo governo do estado. No centro da bandeira, está um trem, imortalizado pela canção “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa (“Moro em Jaçanã/Se eu perder esse trem, que sai agora às onze horas/Só amanhã de manhã”).
São Miguel Paulista
Com as bênçãos da catedral
Ainda em processo de aprovação na Câmara Municipal, a bandeira foi criada em 2008 por uma comissão de dez pessoas, todas ligadas à Catedral de São Miguel Paulista. A cor azul simboliza a importância do rio Tietê na colonização do Brasil, além do sonho de um dia vê-lo azul. As asas de São Miguel Arcanjo, padroeiro do bairro, são verdes em menção à esperança do progresso. O amarelo é o sol, que nasce no leste e desperta o calor humano e o otimismo do povo da região. O vermelho mostra o esforço dos moradores para alcançar uma melhor qualidade de vida e o branco, o desejo da paz. No centro, a Capela de São Miguel Arcanjo representa a fé do povo; a força da mulher vem na forma da índia; estão presentes ainda a figura do nordestino, que colaborou na construção da cidade, e o jesuíta José de Anchieta, um dos fundadores de São Paulo e educador.
Mooca
A bandeira da tradição
A bandeira, criada pelo heraldista e vexilólogo Lauro Ribeiro Escobar. foi apresentada à população da Mooca em 4 de novembro de 1991. Ela seria depois redesenhada pelos alunos da Escola Senai Theobaldo de Nigris, a pedido da Associação dos Moradores e Amigos da Mooca (Amo a Mooca). A cruz branca, sobre o fundo azul, simboliza a fé. O círculo central representa a eternidade e o propósito dos moradores do bairro em manter suas tradições. Ao centro, está o brasão de armas, que representa elementos históricos. Há a ponte, que ligava a Mooca à cidade, e a figura do imigrante italiano. A bandeira foi oficializada em 2006, durante as comemorações de 450 anos do bairro.
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